Alinhamento Postural, Propriocepção e Equilíbrio

  • O controle postural se dá pela interação do indivíduo, da tarefa e do ambiente, onde o sistema nervoso central (SNC) precisa se adaptar a cada situação para controlar a estabilidade e orientação da posição corporal em relação ao espaço. Controlar a postura é um mecanismo complexo e envolve o processamento central da entrada das informações sensoriais (sistema vestibular, visual e proprioceptivo) e a resposta efetora (contração muscular), sendo que esta relação entre a entrada da informação sensorial e atividade motora é contínua e dinâmica e trata-se de um mecanismo vital para o desempenho de atividades que vão desde a manutenção de posições estáticas, como permanecer em pé ou sentado, até atividades dinâmicas, como caminhar, correr, jogar bola, entre outros.

    Cada sistema sensorial fornece um tipo de informação e o SNC as integra para formar um modelo de representação interna do corpo e saber sobre sua posição e movimento em relação à gravidade e ao ambiente. Em virtude desses diversos sentidos disponíveis para a orientação do controle postural, os indivíduos são capazes de manter a estabilidade em uma variedade de ambientes e tarefas. É importante ressaltar que a tarefa e o ambiente vão influenciar na predominância e peso das informações de cada sistema e, à medida que os sujeitos alteram o seu ambiente e/ou a tarefa, o SNC reorganiza a sua dependência relativa sobre cada um, repesando e selecionando as informações mais precisas para aquele momento. Portanto, para correr na areia fofa, jogar futebol de salão e permanecer em pé na academia o SNC repesará as informações de forma diferente.

    A compreensão desses sistemas e as suas diferentes contribuições para o controle postural permite-nos analisar os distúrbios específicos do equilíbrio e alterações biomecânicas que afetam cada indivíduo em particular e que são as causas para o aparecimento de muitas queixas de dor, pois a forma com que cada indivíduo se movimenta e mantém uma postura está estritamente relacionada com a forma em que eles integram e repesam as informações sensoriais. Além disso, após esta integração e interpretação das informações sensoriais, o cérebro, baseado em suas experiências prévias e no contexto em que o indivíduo está exposto, irá planejar a forma com que iremos executar um movimento, selecionando que músculos são necessários contrair para manter a postura e/ou executar um movimento. Portanto, para alterar a biomecânica de um movimento ou a forma com que um indivíduo mantém a sua postura não adianta apenas fortalecer ou alongar uma determinada musculatura, pois dessa forma trataríamos apenas a via final e deixaríamos de lado todo o processo envolvido no controle da postura e do movimento. Possuir um músculo mais forte não fará com que o seu cérebro o recrute com maior frequência para executar um determinado movimento, bem como alongar um músculo que está muito tenso não fará com que o cérebro deixe de recrutá-lo, a não ser que ele seja treinado para fazê-lo.

    Para alterarmos a postura e a biomecânica do movimento de um indivíduo é preciso mudar a percepção da sua representação interna do corpo e, por consequência, alterar a forma com que o SNC planeja o controle postural e é isto que precisamos considerar em nossa abordagem de tratamento. Para um indivíduo que possui dor no ombro, o protocolo ouro de tratamento é fortalecer a sua musculatura. Mas será que a forma de tratar uma senhora que tem dor no ombro ao limpar a casa deve ser a mesma que o tratamento de um jovem com dor no ombro para nadar? São indivíduos diferentes, que executam tarefas diferentes e em ambientes diferentes. O fato de duas pessoas possuírem a mesma dor, não significa que devem ser tratadas de forma similar, pois cada indivíduo possui uma percepção corporal única, um padrão de movimento, uma tarefa e um contexto específico.

    Para alterarmos de forma eficiente o controle postural e a forma com que um indivíduo executa um movimento precisamos alterar a sua programação motora e, para isso, levar em conta as características do indivíduo, da tarefa e do ambiente. Pois, como dito, o controle postural se dá por conta dessa interação e ao alterarmos essas variáveis a forma de controlar a postura também será alterada. Por conta disto, não podemos avaliar e tratar um paciente fora do contexto em que sua queixa emerge. Se a cada tarefa e a cada ambiente o corpo muda a forma com que ele integra as informações, influenciando de forma direta na biomecânica do movimento, não podemos deixar isso de lado para obter um tratamento eficiente.

    Além disso, ao alterarmos a biomecânica estamos ensinando ao SNC um novo padrão de movimento e ele necessitará transferir esse aprendizado. Para que essa transferência ocorra é necessário que o tratamento seja feito dentro de um contexto em que o SNC julga ser importante, por exemplo, apenas esticar e dobrar a perna não parece ser algo importante para o SNC, pois não há nenhuma funcionalidade nisto, mas esticar e dobrar a perna enquanto o indivíduo caminha é. Portanto, se executarmos exercícios que não reproduzem as tarefas do nosso paciente, dificilmente ele reproduzirá o aprendizado no dia a dia. Um exemplo clássico são os treinos proprioceptivos para pacientes com entorse de tornozelo que são feitos expondo o individuo a tarefas que exijem um controle da postura em superfícies instáveis, como ficar em um pé só em cima de um disco ou balancim. Mas, se o indivíduo continuamente sofre uma torção no tornozelo em superfícies estáveis, como jogar bola em uma quadra, quais seriam os benefícios de treinarmos a propriocepção nessas condições? Estamos expondo nosso paciente a demandas e contextos diferentes dos quais a sua queixa ocorre, isto levaria o seu sistema a melhorar seu desempenho nas condições em que está sendo treinado (manter a postura em superfície instável), mas não faz com que o paciente melhore no seu real contexto em que a queixa acontece (superfície estável). Nestes casos encontramos aqueles pacientes que apresentam grande melhora nos exercícios de fisioterapia, mas continuam tendo entorse de repetição.

    Nosso cérebro é plástico e se adapta continuamente aos contextos que é exposto, por conta disto conseguimos modular seu controle sobre a postura. Mas, para que isso aconteça de forma eficiente, precisamos falar a mesma língua do SNC e entender como ele funciona, ou seja, entender a função de cada sistema sensorial e entender como o nosso cérebro integra, repesa e planeja a resposta efetora do movimento frente a essas informações é de extrema importância para um tratamento de qualidade. Treinos que não reproduzem a tarefa e o ambiente dificilmente serão transferidos para fora da sala do consultório. Caso você tenha interesse em compreender melhor este modelo de fisioterapia baseada na correção dos padrões de movimento, sem se limitar a uma visão reducionista sobre sua a doença ou patologia, entre em contato conosco! Nosso serviço de Avaliação Biomecânica Funcional visa identificar os erros biomecânicos e posturais relacionados ao planejamento e execução dos movimentos que podem estar causando a sua queixa, oferecendo desta forma um tratamento amplo que não se limita apenas ao fortalecimento e/ou alongamento muscular.

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