A atividade física é um fator de risco para desenvolver incontinência urinária?

  • Incontinência urinária por esforço (IUE) é a perda involuntária de urina durante algum esforço físico. Ela é o tipo mais comum de incontinência e sua incidência é significativamente maior no sexo feminino. A IUE possui diversos fatores de risco e, na maioria das vezes, é tida como um problema que afeta mulheres mais velhas e que tiveram filhos. Entretanto, existem evidências que cerca de 50% das mulheres podem apresentar perda urinária durante atividades simples ou eventuais exercícios de alta demanda, sem mesmo possuir os fatores de risco para o desenvolvimento da Incontinência Urinária, sendo extremamente comum o aparecimento da IUE em atletas jovens e sem filhos, levando inúmeras delas a abandonar a sua prática esportiva. Por conta desses achados, alguns estudos epidemiológicos classificam a prática de atividade física como um fator de risco para o desenvolvimento de Incontinência Urinária.

    Alguns autores relatam que o exercício físico, principalmente os de alta demanda e impacto, tais como corrida, ginástica ou atividade aeróbica intensa, alterariam a quantidade de força transmitida para os músculos do assoalho pélvico e aumentariam muito a pressão intra-abdominal, sobrecarregando essa musculatura e levando, por conseqüência, ao seu estiramento e enfraquecimento. Mas será, realmente, que a atividade física é um fator de risco para a IUE? Ou será que existe apenas uma relação entre a existência delas? Será, ainda, que a IUE é causada pela fraqueza dos músculos do assoalho pélvico? Para responder essas perguntas precisamos entender um pouco sobre a fisiopatologia da IUE e conhecer alguns dados científicos existentes.

    Na IUE a perda urinária ocorre quando a pressão vesical (pressão da bexiga) excede a pressão uretral (pressão causada pelo fechamento da uretra através de ação muscular), por conta disso a maioria dos autores afirma que a IUE, tanto em atletas quanto em não-atletas, é causada pela fraqueza dos músculos do assoalho pélvico, pois eles seriam incapazes de manter uma pressão uretral adequada, levando a perda de urina. Porém, um dado importante, é que esse aumento da pressão vesical é causado, em sua maioria, pelo aumento da pressão intra-abdominal. Todo e qualquer esforço, seja desde um espirro até uma corrida, tende a aumentar a pressão intra-abdominal. Para que não haja o aumento excessivo dessa pressão e que a pressão vesical não exceda a uretral, antes de realizarmos um esforço, nosso corpo recruta uma sinergia muscular (um grupo de músculos que atua em conjunto) que é responsável por manter o equilíbrio da pressão intra-abdominal, ao mesmo tempo em que fecha a uretra e estabiliza nossa coluna lombar, por conta disso não é incomum a associação entre dor lombar e incontinência.

    Há estudos que comprovam que mulheres incontinentes possuem um atraso na entrada destes músculos, dessa forma elas aumentam a pressão intra-abdominal sem antes ter realizado o fechamento da uretra, por isso ocorre o escape de urina. Um estudo mostrou, inclusive, que na tentativa de compensar esse atraso, as mulheres incontinentes aumentam a atividade dos músculos do assoalho pélvico durante o movimento, o que nos faz pensar se realmente o problema delas é a fraqueza dessa musculatura ou apenas um erro de programação do movimento. Indo ao encontro deste pensamento, um estudo que investigou a força de contração dos músculos do assoalho pélvico em atletas de trampolim que possuíam IUE identificou que todas as atletas avaliadas possuíam força máxima de contração. Ou seja, a partir desses dados fica claro que não podemos culpar a fraqueza muscular pela incontinência urinária, assim como não podemos afirmar que o exercício físico gera sobrecarga e conseqüente fraqueza do assoalho pélvico, levando a IUE.

    Erros biomecânicos e de planejamento do movimento podem ocasionar a dificuldade em recrutar está sinergia muscular em conjunto com a musculatura do assoalho pélvico e o esporte, ao exigir demandas mais altas do que as do dia-a-dia, pode “evidenciar” mais facilmente o problema. Por conta disto, é provável a existência de uma forte relação entre a prática de exercício físico e o aparecimento da IUE. Conhecer estas informações também influencia no modo de reabilitar os indivíduos com incontinência urinária.

    Caso você tenha interesse em compreender melhor este modelo de fisioterapia baseada na correção dos padrões de movimento, sem se limitar a uma visão reducionista sobre sua a doença ou queixa, entre em contato conosco! Nosso serviço de Avaliação Biomecânica Funcional visa identificar estes erros biomecânicos e de planejamento motor que podem estar causando a sua queixa, oferecendo desta forma um tratamento amplo que não se limita apenas ao fortalecimento do assoalho pélvico.

    Equipe Rehabilitation
    Instituto Opus Magnum