Substrato Neural do Ganho de Força Muscular

  • O treinamento resistido leva a um aumento gradual da força muscular, sendo parte desse processo atribuído a hipertrofia induzida pelo exercício. Todavia, uma grande parcela deste incremento de força deve-se a modificações da forma como o nosso cérebro controla os ajustes posturais e a produção de força através de nosso sistema motor.

    Cada músculo é composto por uma série de fibras musculares que, por sua vez, podem ser subdivididas em filamentos ainda menores (como pode ser visualizado na Figura 1). Os nervos periféricos, que levam os comandos enviados por nosso cérebro da medula para os músculos, são compostos por uma série de axônios de neurônios motores que inervam um conjunto determinado de fibras musculares. A união de um neurônio motor com as fibras musculares que ele inerva é denominada Unidade Motora, e cada músculo possui uma organização específica dessas unidades dependendo de sua função. Um músculo como o quadríceps femoral, cuja principal função é sustentar nosso peso corporal e controlar a articulação do joelho, possui poucas unidades motoras que controlam um número grande de fibras musculares, enquanto a musculatura da palma da mão, cuja função envolve a realização de movimentos finos, possui muitas unidades motoras que controlam um número menor de fibras musculares. Um dos primeiros ajustes observados com o treinamento resistido é uma utilização mais eficiente e coordenada destas unidades, levando a uma produção maior de energia mecânica com menos gasto energético.

    Figura 1. Imagem ilustrativa de um músculo.

    Além das mudanças observáveis dentro do próprio músculo, o treinamento induz nosso cérebro a identificar e selecionar combinações de contrações musculares mais eficientes para controlar a postura e produzir força dentro daquele determinado contexto em que o treinamento está sendo realizado. Este processo de seleção gradual de estratégias cada vez mais eficientes para lidar com as forças mecânicas existentes (como a gravidade) e com as forças de reação produzidas pelo movimento é denominado de Seleção pelas Consequências, inicialmente descrita em nosso texto “O Gesto Esportivo Construído”. Em outras palavras, nosso cérebro gradualmente é capaz de identificar e utilizar estratégias mais eficientes para antecipar possíveis desequilíbrios oriundos do movimento e produzir força, sendo estes processos de adaptação concomitantes à hipertrofia muscular.

    É interessante notar que estes processos podem ser observados em maior ou menor grau dependendo do tipo de exercício que está sendo executado. Em exercícios de hipertrofia realizados em máquinas de musculação, capazes de isolar grupos musculares, todos os processos descritos irão ocorrer mas produzirão uma variação menos abrupta da força muscular ao longo do tempo. Por outro lado, os exercícios que envolvem uma grande transferência de energia pelo corpo, como no caso dos movimentos de levantamento de peso olímpico, poderemos observar um aumento rápido da carga levantada em poucas semanas.

    Ainda não se convenceu de que seu sistema nervoso é um dos principais responsáveis pelo aumento da sua capacidade de produzir força? Então aqui vai uma última informação relevante. A inflamação das fibras musculares induzida pelo exercício representa apenas o início de uma cascata de eventos que leva a hipertrofia muscular. Uma parte importantíssima desse processo é desempenhado por substâncias neurotróficas conduzidas ao músculo através do neurônio motor. Estas substâncias são liberadas em maior quantidade após atividades sustentadas elevadas destes neurônios, e induzem o processo de recuperação e hipertrofia muscular.

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